A rua do Fogo
Mundinha chegou em Riachão do Jacuípe, em fevereiro de 1980. Tinha 14 anos, quando resolveu tentar a vida longe do Ceará, onde nasceu.
Mundinha chegou em Riachão do Jacuípe, em fevereiro de 1980. Tinha 14 anos, quando resolveu tentar a vida longe do Ceará, onde nasceu.
A Coluna Prestes chegou à Bahia em 1926. Entrou pela divisa com Pernambuco, próximo a Paulo Afonso, e seguiu para o sertão. Não se sabe quantos homens seguiam a marcha nessa fase, considerada a mais violenta por causa das potreadas (arrastões e roubos de animais) que fizeram o medo se espalhar.
A chegada do primeiro boleto da conta de energia elétrica, no valor de pouco mais de R$ 50, foi comemorada como um troféu pelos moradores da Fazenda Simplício, localizada no sertão de Conselheiro, em Canudos, às margens da BR 116. Primeiro, as 46 famílias da região aguardaram uma vida pela chegada dos postes.
Assombrações e visagens entre nós têm a idade do mundo. Desde sempre o homem desconcertado diante do que há de sobrenatural e desconhecido na morte atribui ao morto poderes como o de aparições e contatos. Trazem avisos, pedem missa, sinalizam perigos.
A medida que o carro do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) avança em direção à comunidade Sítio Tomás em Canudos, para a visita semanal do técnico em agropecuária Vanderlei Leite da Silva, a paisagem vai ficando verde e as poças de água denunciam que choveu cerca de 30 mm por metro quadrado no dia anterior (7 de fevereiro de 2017).
Na casa do criador de cabras e ovelhas Maurício Pereira dos Santos, 74 anos, as visitas não saem sem beber um copo de leite de cabra fervido em panela de barro, no fogão a lenha. Saborosa, a bebida ainda recebe uma pitada de sal.
Maria Gildete Rodrigues Silva, proprietária em parceria com irmãos e um cunhado da Fazenda Gatos, a 18 km da sede do município de Macururé, dá um depoimento sobre como se tornou produtora de animais, após se aposentar como professora do estado. Ela fala dos custos elevados para manter os animais na região, pois precisa pagar por água e ração nos períodos de seca prolongada.
O auxiliar de enfermagem Genivaldo Bernardes dos Santos, 57 anos, improvisou um motor de motocicleta para servir de bomba hidráulica e puxar a água de um dos poços da Fazenda Rebolão, que herdou dos pais, em Chorrochó. Ao acionar a máquina, as cabras e ovelhas espalhadas pela caatinga se guiam pelo barulho e correm para o bebedouro.
A Feira de Saberes e Sabores da Juventude do Campo foi realizada na segunda quinzena de janeiro, em Caruaru (PE), paralelamente à 8ª Assembleia da Pastoral da Juventude Rural (PJR). Lá, reuniram-se centenas de jovens do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), das comunidades de fundo e fecho de pasto, Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MAP) e jovens dos Gerais e das comunidades quilombolas.
Nos últimos dez anos, Jurivaldo Alves da Silva, que prefere ser chamado de folheteiro e não de cordelista, montou uma coleção de mais de quatro mil títulos das obras dos principais poetas populares do Brasil – uma das maiores que se tem conhecimento. E pretende fundar um museu.
Lampião na passarela Florisvaldo Mattos Os cangaceiros, cuja história de façanhas e crueldades inspirou conceituações diversas – símbolos do mal, como criminosos frios e sanguinários, para as autoridades e classe média, principalmente do litoral; heróis, homens bravos e destemidos a serviço da defesa da honra, para os camponeses, principalmente o sertanejo habitante dos descampados -, dormem na memória e no esquecimento, mas às vezes despertam por repentinos sacolejos da estética e da comunicação.
A Assembleia Nacional da Pastoral da Juventude Rural Laura e Uedson, realizada no assentamento Normandia, em Caruaru (PE), entre os dias 18 e 23 de janeiro divulgou, ao final de evento, a carta de compromissos na qual se dispõe a lutar “contra toda forma de injustiça, provocada pelo sistema que impõe e utiliza os recursos naturais como forma de enriquecimento de poucos, e assim retirando o direito à terra, à água, e à vida digna da classe trabalhadora”.
Joabes R. Casaldáliga é fotógrafo e comunicador popular. Trabalha há dois anos no Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecológico do Sudoeste da Bahia (Cedasb), organização não governamental que integra a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).